É preciso falar do Golpe em curso no Maranhão

Golpe contra Brandão favorece pré-candidatura de Felipe Camarão


O Maranhão vive, mais uma vez, momentos de tensão. Não pela eleição que se aproxima, mas por algo mais grave: um golpe em gestação que move togas e agita bastidores. Deputados da oposição anunciam prazos como cartomantes de feira, afirmam que o Superior Tribunal de Justiça já teria decisão pronta para afastar Carlos Brandão. É o novo manual do golpe: não precisa mais de tanques nem de homens nas ruas, basta espalhar que “em sessenta dias” o governador cai. No meio disso, Daniel Itapary surge como bode expiatório perfeito, alguém no lugar errado, na hora errada, convenientemente transformado em criminoso, cuja utilidade seria apenas atingir o tio, governador do Maranhão. 

A engrenagem é clara: uma delação arranjada em Brasília pode virar bala de prata. O Brasil já viu esse filme. Em 2018, Lula foi preso na véspera da eleição em processos viciados, depois anulados porque juiz e procuradores trocavam informações e pressionavam delatores. Mas foi tarde demais: Lula não pôde disputar e o maior beneficiado foi seu adversário. O mesmo roteiro ameaça repetir-se no Maranhão: primeiro alveja-se Daniel, depois arranca-se Brandão da cadeira, abrindo caminho para uma sucessão antecipada que teria como maior beneficiário Felipe Camarão, pré-candidato ao governo, que usufruiria da vantagem de disputar já no poder. 

Vice-governador Felipe Camarão em meio aos deputados conspiradores


E aqui está o ponto crucial: Felipe pode até jurar de pés juntos que nada tem a ver com a conspiração. Pode não saber, pode não participar, pode até reprovar. Mas é inegável que seria o maior herdeiro do enredo. É como ganhar na Mega-Sena sem nunca ter comprado o bilhete. E a história não é inédita: em 2009, Jackson Lago foi arrancado do Palácio por decisão do TSE. Naquele tempo, chamaram de golpe. Hoje, ironicamente, alguns dos que gritaram contra a cassação de Lago parecem dispostos a reeditar o mesmo roteiro, só que agora como golpistas. 

O que ontem era golpe, hoje é atalho conveniente. Se prosperar, não será a vontade popular, mas a astúcia de quem sabe empurrar a pedra para que a ladeira faça o resto. Uma trama que faria inveja a qualquer Bolsonaro da vida!



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