O abraço que custou caro

Usado por Flavio Furtado, visita de Felipe Camarão foi barganha por acesso ao palácio do leões

Em março deste ano, Felipe Camarão chegou em Duque Bacelar achando que estava nadando em terreno seguro. Foi recebido com festa pelo prefeito Flávio Furtado, abraços e discursos de “nosso próximo governador”. O problema é que, sem perceber, Camarão não estava no papel de pescador, era a própria isca.

Naquele momento, muita gente alertou: a visita era arriscada. Primeiro, porque Flávio Furtado em 2022 esteve contra o grupo Brandão e, por consequência, contra o próprio Felipe. Segundo, porque já existia um grupo consolidado na cidade, aliado de Brandão, que até simpatizava com Camarão e foi solenemente ignorado. E terceiro, porque Felipe ainda buscava o apoio do governador para a sucessão. Ir abraçar um prefeito que o Palácio via como adversário parecia incoerência demais.

Mesmo assim, o vice-governador foi. Justificou dizendo que o convite vinha de Erlanio Xavier e Neto Carvalho e que não podia recusar. Ignorou os sinais, mergulhou de cabeça e, sem notar, virou isca.

Flávio Furtado (esq.) com Orleans Brandão (dir.)

Seis meses depois, o resultado apareceu na margem esquerda do Parnaíba: Flávio Furtado, feliz da vida, posando ao lado de Orleans Brandão. O governador até estava anunciado, mas nem precisou ir. O recado estava dado. Flávio usou Camarão para pescar o robalo grande: prestígio, acesso ao Palácio dos Leões e poder de barganha.

Felipe, por sua vez, ficou com o anzol cravado: perdeu a simpatia de quem o via como alternativa, não virou “o próximo governador” do Prefeito e ainda foi engabelado por um prefeito que que todo mundo sabe a fama.

Na política, ou você é o pescador, ou você é a isca. Felipe Camarão achou que estava lançando a rede, mas acabou servindo de isca para pesca Robalo.


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