Rubens Pereira Júnior, o mesmo que se orgulha de ter Flávio Dino como padrinho de casamento, subiu à tribuna da Câmara dos Deputados com aquele ar de quem vai defender a honra da família, a moral e os bons costumes. Mas acabou entregando o roteiro completo de uma série da Netflix: “House of Dino: o drama dos comunistas!”
O moço, sempre tão indignado seletivamente, resolveu discursar contra as gravações em que ele e o papai, Rubens Pereira, até então Secretário de Articulação Política do governo Brandão, aparecem pressionando o próprio governador. Sim, pressionando o chefe! A dupla queria que Carlos Brandão abrisse mão das prerrogativas de governador, fizesse um acordo “de paz” com os órfãos do império Dino e, se possível, assinasse o atestado de submissão em cartório.
- Queriam o quê? Que Brandão:
- Despachasse o irmão, Marcus Brandão;
- Entregasse secretarias pro PT;
- Anunciasse publicamente que renunciaria ao cargo (!);
- E jurasse de pés juntos que não se meteria na eleição da Assembleia Legislativa.
Resumindo: TUDO DELES!
E pra completar o pacote, ainda exigiram que Brandão não botasse o bedelho na eleição para prefeito de Colinas, sua terra natal, reduto histórico da família, pra deixar o caminho livre pro irmão do deputado Márcio Jerry disputar e, de preferência, ganhar. É o famoso “tudo nosso, nada pra vocês!”
Rubens Júnior, que adora discursar sobre ética e bons costumes políticos, agora se diz vítima de “grampo ilegal”. Mas calma: não teve polícia, não teve hacker russo, nem James Bond de Grajaú. Foi a própria pessoa pra quem ele ligou que, desconfiada da pregação “republicana”, botou outro celular pra gravar tudo.
E quem revelou a novela? O deputado estadual Yglésio, na tribuna da Assembleia.
Rubens Júnior, claro, subiu pelas paredes. Falou em perseguição, ética, privacidade, até tentou dar carteirada de deputado, mas esqueceu de mencionar o principal: o que estava em jogo era a tentativa descarada de manobrar um governador eleito, como quem negocia fruta na feira.
No fim das contas, Rubens Júnior e papai queriam um Brandão decorativo, um governador de papel, desses que só assinam o que mandam. O plano falhou, a gravação vazou, e o discurso do deputado virou stand-up político: ele tenta fazer rir, mas o maranhense assiste constrangido.
Moral da história: quem vive de articulação secreta acaba grampeado pela própria arrogância.

0 Comentários